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Heungbu-jeon, o conto coreano dos irmãos Heungbu e Nolbu, gira em torno de duas andorinhas: a que caiu do ninho na casa do irmão pobre e a que foi derrubada na casa do rico.
Na primavera, um casal de andorinhas fez ninho debaixo do beiral de palha da choupana de Heungbu. As crianças contavam os filhotes todo dia.
Uma tarde, uma cobra subiu pela parede e atacou o ninho. Os filhotes se espalharam. Um deles caiu no chão do quintal e quebrou a perna.
Heungbu pegou o filhote na palma da mão. Não tinha remédio nem pano limpo. Amarrou a perna com linha e um pedaço de casca, e devolveu a ave ao ninho.
O filhote sarou. Cresceu, aprendeu a voar e, quando o frio chegou, partiu com as outras andorinhas para Gangnam (o sul distante, além do rio, como o conto chama a terra das aves).
Lá, conta o pansori, o rei das andorinhas ouviu a história da perna amarrada e mandou um presente.
Na primavera seguinte, a andorinha voltou ao mesmo beiral. Pousou diante de Heungbu e deixou cair do bico uma semente.
Era semente de bak (a cabaça coreana, fruto de casca dura que, seco, vira cuia e tigela). Heungbu plantou junto à parede.
A rama subiu pelo telhado. No outono, cobria a choupana inteira, com cabaças tão grandes que a palha rangia.
A família não tinha o que jantar. Heungbu e a mulher decidiram serrar uma cabaça, comer a polpa e vender a casca.
Serraram cantando, cada um numa ponta da serra.
A primeira cabaça se abriu e dela saíram arroz e moedas, que não acabavam por mais que se tirasse.
A segunda trouxe seda, roupas e joias.
Da terceira saíram carpinteiros, que ergueram ali mesmo uma casa de telhas, com celeiro e criados.
Heungbu ficou rico numa tarde.
A notícia chegou a Nolbu. Ele foi até a casa nova, ouviu a história e voltou para a própria com um plano.
Esperou a primavera. Quando as andorinhas fizeram ninho no beiral dele, subiu numa escada, pegou um filhote e quebrou a perna da ave com as mãos.
Depois amarrou a perna com linha, como tinha ouvido, e devolveu o filhote ao ninho.
A andorinha sarou, partiu para o sul e voltou na primavera com uma semente. Nolbu plantou e esperou o outono.
As cabaças dele cresceram tão grandes quanto as do irmão. Nolbu chamou serradores e mandou abrir a primeira.
Saiu dela um bando de músicos e mendigos, que cobraram pela apresentação e levaram dinheiro. Nolbu achou que era azar e mandou abrir outra.
Cada cabaça trouxe uma cobrança: credores, sacerdotes pedindo oferenda, gente exigindo dívida que ele nunca fez. Nolbu abria uma atrás da outra, certo de que o ouro estava na próxima.
Da última saíram dokkaebi (os duendes do folclore coreano, que andam de porrete na mão). Bateram nele, derrubaram a casa e soltaram uma enxurrada de lama e esterco sobre o que restava.
Nolbu perdeu a casa, os arrozais e o celeiro.
Heungbu recebeu o irmão, a cunhada e os sobrinhos na casa de telhas. O conto termina com Nolbu arrependido, sentado à mesa do irmão que ele expulsou.
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