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Uma montanha que começou a gemer sozinha, uma multidão que largou o trabalho para ver e um bicho que ninguém tinha imaginado. A fábula vem completa aqui embaixo.
A montanha começou a gemer numa manhã de céu limpo. O som vinha de dentro da pedra, abafado, como se algo empurrasse a encosta por baixo.
O primeiro que ouviu foi um pastor.
Ele estava com o rebanho na parte de baixo do morro.
Sentiu o chão vibrar debaixo das sandálias.
Desceu correndo e contou na aldeia.
No dia seguinte o gemido ficou mais forte.
As pedras soltas rolavam encosta abaixo sozinhas.
A água do poço da aldeia ficou turva.
Os cachorros começaram a uivar de madrugada.
No terceiro dia a montanha estrondou.
O estrondo foi ouvido nas aldeias do outro lado do vale.
A notícia correu de casa em casa.
A montanha está para dar à luz, diziam.
Os homens deixaram o campo no meio do serviço.
As mulheres apagaram o fogo e fecharam a porta.
As crianças foram na frente, subindo pelo atalho.
Todo mundo subiu até o meio da encosta e ficou olhando de longe.
Alguns diziam que ia sair um gigante de pedra.
Outros diziam que ia sair um dragão com asa de couro.
Um velho disse que ia sair um rio de fogo e que era melhor descer.
Ninguém desceu.
A terra tremeu mais uma vez, mais forte que nas outras.
A encosta rachou de cima até embaixo.
A fenda abriu com um estalo seco.
Saiu poeira, saiu cheiro de pedra quente e saiu silêncio.
A multidão prendeu a respiração.
Pela fenda saiu um rato.
Um rato cinza, do tamanho de uma mão fechada.
Ele parou na beira da racha, farejou o ar e sacudiu as orelhas.
Depois desceu a encosta correndo entre os pés das pessoas.
Um menino riu primeiro.
Depois riu a aldeia inteira.
Um homem chutou uma pedra e disse que tinha perdido o dia de trabalho.
Uma mulher disse que a montanha tinha feito por bem.
O rato entrou no capim seco do outro lado da trilha.
A montanha ficou quieta.
As pessoas desceram de volta para a aldeia.
A fenda continuou aberta na encosta.
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