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Um menino, um velho e um gorro vermelho que guardava tudo.
O Saci é o livro de Monteiro Lobato em que Pedrinho, neto de Dona Benta, aprende com Tio Barnabé a capturar o saci e acaba entrando na mata com ele. A caçada começa numa tarde de vento.
Pedrinho saiu do rancho com a cabeça fervendo.
Barnabé tinha explicado tudo sem pressa.
O saci anda dentro do redemoinho, girando com a poeira.
Quem joga a peneira bem em cima prende o bicho embaixo.
Depois é só enfiar o saci na garrafa e tampar com a rolha.
Na rolha, uma cruz riscada, para ele não escapar.
E a carapuça vermelha fica com o caçador.
O menino arrumou uma peneira velha na cozinha.
Tia Nastácia achou graça e não perguntou para quê.
A garrafa ele tirou do porão, vazia e escura.
Esperou dias seguidos, de olho no pasto seco.
Numa tarde quente, a poeira começou a rodar.
Era um redemoinho alto, torto, cheio de folha.
Pedrinho correu com a peneira erguida nas duas mãos.
Chegou perto, fechou os olhos e jogou.
A peneira caiu virada sobre a terra.
O vento parou de repente, como se alguém tivesse desligado.
Embaixo da palha, alguma coisa se debatia.
O menino segurou a borda com força.
“Te peguei, diabinho. Agora você é meu.”
Ele abriu a garrafa e encostou o gargalo na peneira.
Sentiu um peso leve escorregar lá para dentro.
Tampou com a rolha e riscou a cruz com a unha.
Dentro do vidro, um vulto pequeno, de uma perna só, batia no fundo.
Tinha olhos vermelhos e um gorro da mesma cor.
Pedrinho levou a garrafa para o quarto e a escondeu.
Nos dias seguintes, os sumiços da casa pararam.
Ninguém mais achou crina trançada nem leite derramado.
O saci estava preso, e o menino, satisfeito.
Então Pedrinho resolveu entrar na mata, onde nunca tinha ido sozinho.
Levou a garrafa, porque um saci conhece o caminho de volta.
Lá dentro, abriu a rolha e fez um trato com o prisioneiro.
O saci guiaria o menino pela floresta.
E, no fim, ganharia a liberdade.
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