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O convite da rã, a descida da tartaruga, o pé que travou na borda e o que o bicho do mar contou de pé, do lado de fora.
Zhuang Zhou não deu nome à rã: chamou-a de rã do poço desmoronado, e a deixou sem nome até a última linha. O poço era dela.
O buraco ficava num terreno de casas velhas.
A parede de dentro estava rachada.
O parapeito tinha desabado de um lado.
No fundo havia lama e um palmo de água parada.
Um tijolo solto formava um degrau na parede.
A rã morava ali desde que nasceu.
Saltava do fundo para o tijolo.
Do tijolo para o parapeito quebrado.
Do parapeito de volta para a água.
Certa manhã uma tartaruga do Mar do Leste passou pelo terreno.
Parou ao lado do poço.
Olhou para baixo.
A rã veio à tona e falou primeiro.
"Veja a minha vida aqui."
"Salto no parapeito e me sento nele."
"Desço e descanso no tijolo da parede."
"Entro na água e ela me segura pelas axilas."
"Piso na lama e ela me cobre só até os pés."
"Olho para os camarões e os girinos."
"Nenhum deles vive como eu vivo."
"Mando em toda a água que cabe aqui dentro."
"Este poço é o meu e o prazer dele é completo."
"Desça e veja com os seus olhos."
A tartaruga aceitou o convite.
Virou o corpo na direção da abertura.
Levantou o pé esquerdo.
Baixou o pé esquerdo para dentro do poço.
O joelho direito ficou preso na borda.
Puxou o pé de volta.
Recuou dois passos.
Ficou de pé do lado de fora.
Começou a falar do Mar do Leste.
"Mil li de distância não atravessam a largura dele."
"Mil braças de corda não alcançam o fundo dele."
"No tempo do rei Yu houve enchente em nove anos de dez."
"A água do mar não subiu por causa das cheias."
"No tempo do rei Tang houve seca em sete anos de oito."
"A linha da praia não recuou por causa das secas."
"O mar não muda de tamanho com a chuva grande."
"Viver ali é o meu prazer."
A rã ouviu tudo do fundo do poço.
Não respondeu nada.
Não voltou a saltar no tijolo.
Ficou de boca aberta.
Os olhos dela travaram parados.
A tartaruga foi embora pelo caminho de terra.
A rã continuou dentro da água que a segurava pelas axilas.
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