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Uma raposa, um gato, uma trilha de caça e quatro cães que chegam sem avisar.
A Raposa e o Gato é o conto 75 dos Contos da Infância e do Lar, dos irmãos Jacob e Wilhelm Grimm, com dois personagens: a raposa e o gato. A história começa num encontro por acaso.
O gato ia pela mata quando viu a raposa.
Pensou que ela era esperta e respeitada no mundo.
Chegou perto e falou com gentileza.
"Bom dia, senhora raposa. Como vai? Como se arranja nestes tempos difíceis?"
A raposa ergueu o focinho.
Olhou o gato das patas às orelhas.
Demorou para responder.
"Seu limpador de bigode, seu bobo malhado, seu esfomeado caçador de rato!"
"Você se atreve a perguntar como eu vou?"
"E você, aprendeu o quê na vida? Quantas artes sabe?"
O gato baixou os olhos.
"Sei uma só."
"E que arte é essa?", quis saber a raposa.
"Quando os cães vêm atrás de mim, pulo numa árvore e me salvo."
A raposa deu uma gargalhada.
"Só? Eu sou senhora de cem artes."
"E ainda tenho um saco cheio de astúcias."
"Tenho pena de você. Venha comigo."
"Eu ensino como se escapa dos cães."
O gato não respondeu.
Os dois seguiram pela trilha, lado a lado.
Não andaram muito.
Um caçador surgiu na curva do caminho.
Trazia quatro cães na frente.
Os cães farejaram o vento e dispararam.
O gato saltou para o tronco mais próximo.
Subiu sem olhar para trás.
Sentou no alto, escondido entre galhos e folhas.
Lá embaixo vinham os latidos.
A raposa ficou parada na trilha.
Pensava em qual das cem artes usar.
Pensava no saco das astúcias.
O gato gritou do galho:
"Abra o saco, senhora raposa! Abra o saco!"
Mas os cães já tinham chegado.
Agarraram a raposa antes que ela desse um passo.
Seguraram firme e não soltaram mais.
O gato olhou a cena lá de cima.
"Ah, senhora raposa, a senhora ficou presa com as suas cem artes."
"Se soubesse subir como eu, ainda estaria viva."
O caçador recolheu os cães e a raposa e seguiu caminho.
O gato esperou o silêncio voltar à mata.
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