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O Macaco e o Gato é a fábula de La Fontaine em que o macaco Bertrand, com elogios, convence o gato Ratão a tirar castanhas do braseiro com a pata e come cada uma delas, até a criada entrar e os dois fugirem.
Bertrand e Ratão moravam na mesma casa.
Tinham o mesmo dono e o mesmo gosto pelo que não era deles.
O macaco roubava o que achasse no caminho.
O gato caçava o queijo com mais vontade do que os ratos.
O dono vivia contando prejuízo e nunca achava o culpado.
Numa tarde fria, as castanhas assavam no fogo da cozinha.
Estavam enterradas na cinza, estalando de leve.
O cheiro encheu a casa e chegou primeiro ao macaco.
Bertrand se aproximou do braseiro e mediu o calor.
Era quente demais para a mão dele.
Chamou o gato, que cochilava perto da lenha.
Chamou de irmão, com a voz mais doce que tinha.
Disse que aquele era o dia de Ratão fazer um golpe de mestre.
Disse que a pata do gato tinha sido feita para aquela tarefa.
Disse que, se ele tivesse nascido com uma pata assim, as castanhas não teriam vez.
Ratão abriu os olhos e ouviu tudo de novo na cabeça.
Ninguém nunca tinha chamado a pata dele de obra de Deus.
Levantou, esticou o corpo e foi até o fogo.
Com a ponta das garras, afastou a cinza de lado.
O calor subiu e ele recolheu a pata depressa.
Voltou a estender, agora mais rápido.
Puxou uma castanha para fora, rolando no chão.
Puxou a segunda, depois a terceira.
A cada uma, sacudia os dedos e soprava a pata.
Bertrand, atrás dele, pegava a castanha ainda quente.
Mordia, mastigava e engolia sem dizer nada.
Ratão estava contente demais para olhar para trás.
Tinha os dedos vermelhos e o peito cheio de orgulho.
Esticou a pata para a quarta castanha.
Nessa hora, a porta da cozinha se abriu.
Era a criada da casa, que vinha cuidar do fogo.
Bertrand pulou para o telhado num salto só.
Ratão correu para debaixo do armário.
Lá embaixo, lambendo os dedos queimados, fez a conta.
Tinha tirado todas as castanhas do fogo.
Não tinha comido nenhuma.
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