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Um homem que sabia o nome de cada estrela, uma estrada de terra que ele fazia todas as noites e um poço aberto perto da porta de casa. A fábula vem completa aqui embaixo.
Havia um astrólogo que saía todas as noites para olhar o céu. Levava uma tábua de cera e um estilete pendurados na cintura.
Ele conhecia as estrelas pelo nome.
Sabia dizer em que mês cada uma aparecia e em que mês cada uma sumia.
As pessoas da cidade batiam na porta dele para perguntar do futuro.
Ele lia o céu e respondia.
Dizia se o ano ia dar chuva.
Dizia se a viagem ia dar certo.
Dizia se o casamento ia durar.
E cobrava por cada resposta.
Naquela noite o céu estava limpo de ponta a ponta.
Ele andou até o campo aberto fora da cidade.
Ficou de cabeça erguida a noite inteira.
Anotou na cera o lugar de cada estrela.
Anotou o que cada uma prometia para o ano seguinte.
Quando a madrugada esfriou, guardou a tábua e voltou pra casa.
Voltou pelo mesmo caminho de sempre.
Voltou de cabeça erguida, ainda contando estrelas.
Na véspera, um vizinho tinha aberto um poço na beira da estrada.
O poço estava a dois passos do portão da casa dele.
Ainda não tinha mureta em volta.
Ainda não tinha tampa.
O astrólogo pisou no ar e caiu.
Caiu sentado no fundo, na lama fria.
A tábua de cera bateu na parede e rachou.
Ele gritou por socorro.
Gritou o nome dos vizinhos, um por um.
Um homem que morava na casa ao lado acordou e veio até a borda.
Olhou pra baixo e viu o astrólogo lá no fundo.
Foi buscar uma corda no galpão.
Amarrou a corda no tronco da figueira.
Jogou a ponta dentro do poço.
O astrólogo subiu com as mãos raspadas.
Sentou na terra ao lado da borda para recuperar o fôlego.
O vizinho ficou de pé olhando pra ele.
Você lê o que está escrito lá em cima, disse o vizinho.
E não viu o buraco que eu cavei ontem, na frente da sua casa.
O astrólogo não respondeu nada.
Pegou a tábua rachada e entrou.
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