|
Um homem que visitava o próprio dinheiro toda noite, um ladrão que passou por ali e um vizinho que resolveu tudo com uma oferta. A fábula vem completa aqui embaixo.
Um homem vendeu tudo que tinha e comprou um pote de ouro. Vendeu a terra, vendeu os bois, vendeu a casa da frente.
Ficou com o pote e mais nada.
Ele cavou um buraco fundo atrás do muro, no canto onde ninguém passava.
Enterrou o pote e cobriu com terra batida.
Depois pisou em cima até o chão ficar igual ao resto.
De noite, ele voltava ali.
Cavava com as mãos, tirava a terra e destampava o pote.
Olhava o ouro por um tempo.
Contava as moedas uma a uma, sempre o mesmo número.
Tampava, enterrava de novo e alisava a terra com o pé.
Fazia isso toda noite, fazia chuva ou fazia frio.
Nunca tirou uma moeda dali.
Um trabalhador da vizinhança reparou no homem indo pro mesmo canto todo dia depois do jantar.
Achou estranho e ficou olhando de longe por três noites.
Na quarta noite, esperou o homem entrar em casa.
Cavou no mesmo lugar, achou o pote e levou tudo embora.
Na noite seguinte, o homem voltou ao canto do muro.
Cavou com as mãos e não achou o pote.
Cavou mais fundo e achou terra.
Cavou um buraco largo e achou pedra.
Então ele sentou na beira do buraco e começou a gritar.
Puxava o cabelo e chamava por quem passava na rua.
Um vizinho apareceu no muro e perguntou o que tinha acontecido.
Roubaram meu ouro, disse o homem. Estava aqui neste buraco.
O vizinho perguntou quanto era.
Era tudo que eu tenho, disse o homem. Vendi minha terra e meus bois pra juntar.
O vizinho perguntou quanto ele tinha gastado do pote.
O homem disse que não tinha gastado nada.
O vizinho perguntou pra que ele guardava.
O homem disse que guardava pra ter.
O vizinho ficou quieto um instante.
Então falou de dentro do muro, sem levantar a voz.
Amigo, pegue uma pedra e enterre no mesmo buraco.
O homem olhou pra ele.
Enterre a pedra e venha aqui toda noite olhar pra ela, disse o vizinho. Vai valer o mesmo tanto que valia o ouro.
O homem não respondeu.
O vizinho saiu do muro e foi jantar.
O buraco ficou aberto a noite inteira.
|