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O campo arado, a corrida da lebre, o barulho seco no toco e o que o lavrador de Song fez do dia seguinte em diante.
Han Feizi não deu nome ao homem: chamou-o de lavrador do reino de Song, e o deixou sem nome até o fim. O campo era dele.
A terra ficava num vale de lavoura, perto de outras roças.
No meio do campo havia um toco de árvore.
Alguém derrubou a árvore antes dele.
A raiz continuou firme no chão.
O lavrador arava o campo todo dia.
Contornava o toco na ida.
Contornava o toco na volta.
Nunca arrancou a raiz de lá.
Certa manhã ele arava perto da cerca.
Uma lebre saiu do mato em disparada.
Corria com a cabeça baixa.
Olhava para trás, do jeito que a lebre olha quando foge.
Não viu o toco à frente.
Bateu com o pescoço na madeira.
O barulho foi seco e curto.
A lebre caiu na terra arada.
Parou de se mexer.
O lavrador largou o cabo do arado.
Foi até o toco de pés descalços.
Pegou a lebre pelas orelhas.
Pesou o bicho na mão.
Levou o animal para casa.
Comeu carne naquela noite sem ter caçado.
Dormiu pensando no toco.
No dia seguinte ele voltou ao campo.
Não pegou o arado.
Sentou ao lado do toco.
Ficou de olho na cerca, no lugar por onde a lebre tinha saído.
Esperou a manhã inteira.
Nenhuma lebre veio.
Esperou a tarde inteira.
Nenhuma lebre veio.
Voltou no outro dia e sentou no mesmo lugar.
E no outro.
E no outro.
O arado ficou caído onde ele soltou.
A terra arada secou ao sol.
O mato subiu nos sulcos abertos.
O mato cobriu o pé do toco.
A lavoura virou capinzal.
Não houve colheita naquele ano.
Os vizinhos passavam na estrada e olhavam.
O reino de Song inteiro riu do homem.
Ele continuou sentado.
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