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Ninguém no estábulo ganhou nada naquela tarde.
O Cão na Manjedoura é a fábula atribuída a Esopo em que um cão se deita no cocho de feno, não come nada e rosna para o boi que chega para comer. O estábulo estava quieto quando a cena começou.
O cão entrou pela porta aberta e farejou os cantos.
Achou o cocho de madeira encostado na parede do fundo.
O feno estava fresco, cortado de manhã, ainda com cheiro de campo.
Ele pulou para dentro sem esforço.
Deu duas voltas, amassou a palha com as patas e deitou.
O sol da tarde entrava pela fresta e esquentava o feno.
Ele fechou os olhos e dormiu.
Lá fora, o boi terminava o último sulco do dia.
O lavrador tirou a canga do pescoço dele e o mandou para o estábulo.
O boi entrou devagar, com as pernas pesadas.
Foi direto ao cocho, como fazia toda tarde.
Baixou a cabeça para puxar o primeiro bocado.
O cão abriu os olhos e rosnou baixo.
O boi parou com o focinho a um palmo do feno.
Esperou um pouco e tentou de novo.
O cão se levantou em cima do feno e latiu na cara dele.
O boi deu a volta e tentou pela outra ponta do cocho.
O cão correu para aquela ponta e mostrou os dentes.
O boi era muito maior, mas não queria ferir ninguém.
O cão, por sua parte, não comia um fio sequer.
Ele só cuidava para que o boi também não comesse.
O boi ficou parado no meio do estábulo, olhando o jantar.
Então falou, sem levantar a voz.
Disse ao cão que ele não comia o feno e não deixava comer quem precisava.
O cão não respondeu e voltou a se deitar.
Na versão grega mais conhecida, o boi sai do estábulo com fome.
Em versões medievais, o lavrador aparece e expulsa o cão a pauladas.
Em nenhuma delas o cão prova o feno.
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