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O Exemplo 32 do Conde Lucanor conta como três trapaceiros convencem um rei mouro de que tecem um pano visível só aos filhos legítimos, e como a corte inteira finge ver o tecido até um cavalariço negro dizer que o rei anda nu.
O Saru Kani Gassen (A Batalha do Macaco e do Caranguejo) conta como o macaco engana o caranguejo na troca e no pé de caqui, e como os filhos do caranguejo, com uma castanha, uma abelha, um pilão e um punhado de esterco, armam a cobrança na casa do macaco.
O caranguejo deixou filhos.
Eles saíram da toca e encontraram o pai embaixo da árvore.
Ao redor, as cascas dos caquis que o macaco tinha comido.
No chão, o caqui verde que tinha feito o estrago.
Os filhotes eram pequenos demais para enfrentar um macaco.
Choraram ali mesmo, ao pé do tronco.
Uma castanha que rolava pela estrada ouviu o choro e parou.
Perguntou o que tinha acontecido.
Os filhotes contaram a troca, a cantiga, a árvore e o caqui verde.
A castanha prometeu ajudar.
Logo apareceu uma abelha, e ouviu a mesma história.
Também prometeu ajudar.
Depois veio o esterco de vaca, que nas versões antigas fala e anda como os outros.
Por último chegou o usu, o pilão pesado de madeira onde os japoneses socam o arroz para fazer o mochi (bolo de arroz batido).
O grupo foi até a casa do macaco enquanto ele estava fora.
Cada um escolheu um lugar.
A castanha se enterrou nas cinzas do irori, a lareira aberta no chão das casas japonesas.
A abelha se escondeu dentro do balde de água da cozinha.
O esterco se deitou na soleira da porta.
O pilão subiu no telhado, bem em cima da entrada.
Os filhotes ficaram escondidos num canto.
O macaco voltou ao entardecer, com frio.
Sentou perto do irori para se esquentar.
A castanha, aquecida pelas brasas, estourou e pulou no rosto dele.
O macaco gritou e correu até o balde para molhar a queimadura.
A abelha saiu da água e ferroou o focinho dele.
Desesperado, ele correu para a porta.
Pisou no esterco, escorregou e caiu de costas na soleira.
O pilão despencou do telhado em cima dele.
O macaco ficou preso, sem conseguir se mexer.
Os filhotes saíram do canto.
Na versão mais antiga, cortaram o macaco com as garras, como o pai tinha prometido cortar a semente.
Nos livros infantis de hoje, o macaco pede perdão, promete nunca mais enganar ninguém e devolve os caquis.
As duas versões terminam com a mesma conta paga.
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