|
Um convite, duas entradas e uma única roupa trocada no caminho.
O Casaco de Nasreddin é um dos contos mais repetidos da tradição turca de Nasreddin Hodja, com três personagens: o próprio Nasreddin, o anfitrião do banquete e o casaco de pele. A história começa no fim de um dia de trabalho.
Nasreddin voltava da lavoura quando lembrou do banquete.
Um homem rico da cidade tinha convidado os vizinhos.
Estava tarde para passar em casa.
Ele foi do jeito que estava, com a roupa de lida.
Na porta, ninguém o recebeu.
Ele entrou sozinho e sentou num canto da sala.
Os criados passavam com bandejas de sopa e de carne.
Passavam por ele e seguiam adiante.
Nasreddin esperou.
Esperou mais um pouco.
Ninguém lhe dirigiu a palavra.
Então ele se levantou devagar e saiu.
Andou até a própria casa.
Tirou a roupa suja de terra.
Vestiu o casaco de pele, o mais bonito que tinha.
E voltou ao banquete.
Desta vez o anfitrião correu até a porta.
"Seja bem-vindo, Hodja! Que honra! Venha, sente aqui."
Levou Nasreddin até a cabeceira da mesa.
Os criados vieram depressa.
Trouxeram sopa quente, carne assada, arroz com manteiga.
Nasreddin olhou a comida.
Segurou a ponta da manga do casaco.
E a mergulhou dentro da tigela de sopa.
"Coma, meu casaco, coma."
Depois encostou a manga no prato de carne.
"Coma, meu casaco. Coma à vontade."
Os convidados pararam de comer.
O anfitrião ficou vermelho.
“Hodja, o que está fazendo? Por que dá comida ao casaco?”
Nasreddin respondeu sem pressa.
"Quando cheguei com a outra roupa, ninguém me deu nada."
"Agora voltei de casaco, e tudo apareceu na mesa."
"Então a comida não foi servida a mim. Foi servida ao casaco."
"É justo que ele coma primeiro."
Ninguém respondeu.
Nasreddin tirou a manga da sopa.
E começou a comer.
|