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Dois que se achavam o mais forte, uma estrada de terra e um homem que não sabia que tinha virado prêmio de disputa. A fábula vem completa aqui embaixo, reescrita pra sair na sua voz sem tropeço.
Num fim de tarde, o vento norte e o sol começaram uma discussão boba sobre quem era o mais forte dos dois. Cada um tinha certeza da própria resposta, e nenhum deles aceitava ficar em segundo.
O vento falou primeiro. Disse que derrubava árvore, levantava telhado e empurrava barco pra longe da costa.
O sol ouviu tudo sem interromper. Depois disse que também tinha força, só que de outro tipo.
A discussão ia longe, até que os dois olharam pra baixo ao mesmo tempo.
Na estrada de terra, um homem caminhava sozinho com um casaco grosso fechado no corpo.
O sol propôs a aposta. Quem conseguisse fazer o viajante tirar o casaco seria o mais forte, e o outro teria que admitir.
O vento aceitou na hora e pediu pra começar.
Encheu o peito e soprou.
O primeiro golpe levantou poeira na estrada e fez o casaco balançar nas costas do homem.
O viajante parou um segundo, olhou pro céu fechado e puxou as bordas do casaco pra frente.
O vento soprou mais forte. A poeira virou nuvem e os galhos da beira da estrada se dobraram todos pro mesmo lado.
O homem abaixou a cabeça, cruzou os braços em cima do peito e apertou o casaco com as duas mãos.
Quanto mais o vento apertava, mais o homem se fechava. Cada rajada nova era mais um motivo pra não soltar o tecido.
O vento tentou por baixo, tentou pela gola, tentou de lado. O casaco continuou onde estava, mais preso do que no começo.
Cansado, o vento parou. O ar ficou parado na estrada e a poeira desceu de volta pro chão.
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Está grudado no corpo dele e não sai, disse o vento. Se eu não tirei, ninguém tira.
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Então foi a vez do sol.
O sol não fez nenhum movimento grande. Só saiu de trás da nuvem e ficou.
O calor chegou devagar, primeiro no rosto do homem, depois nos ombros, depois nas costas.
O viajante levantou a cabeça e afrouxou o primeiro botão.
Andou mais um pouco e abriu o casaco inteiro.
Andou mais um pouco, tirou o casaco do corpo, dobrou no braço e seguiu a estrada assobiando.
O sol não pediu nada e não empurrou nada. Ficou onde estava, e o homem se abriu sozinho.
O vento viu tudo do alto e não teve o que responder.
O que tinha mudado na estrada não era o casaco. Era a vontade do homem de continuar com ele.
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