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Ninguém saiu de lá sem uma opinião.
O Elefante no Escuro é a fábula do Masnavi, de Jalal ad-Din Rumi, em que moradores de uma cidade apalpam um elefante num galpão sem luz e cada um descreve um animal diferente. A fila começou ao entardecer.
O primeiro visitante entrou devagar.
Tateou o ar até encontrar algo comprido e mole.
A peça se mexia, subia e descia, soprava quente.
Ele segurou com as duas mãos e sentiu o oco por dentro.
Saiu dizendo que o elefante era um cano de água.
O segundo esbarrou numa lâmina larga e fina.
Ela abanava sozinha, abria e fechava contra o rosto dele.
Ele riu e jurou que o bicho era um leque enorme.
O terceiro tropeçou numa base grossa e firme.
Abraçou a peça inteira e não alcançou a volta.
Era dura como tronco e não saía do lugar.
Esse contou na rua que o elefante era uma coluna.
O quarto subiu a mão mais alto e achou as costas.
Uma superfície larga, curva, quente de sangue.
Disse que o animal era um trono, feito para rei sentar.
Na porta do galpão, os quatro se encontraram.
Cada um repetiu o que tinha tocado.
O do cano achou o do leque um mentiroso.
O da coluna chamou o do trono de sonhador.
A discussão subiu de tom e juntou gente.
Os que ainda estavam na fila escutavam sem entender.
Como um bicho só podia ser quatro objetos diferentes?
Ninguém propôs entrar de novo com uma lamparina.
Ninguém pensou em juntar as quatro descrições.
Um velho da fila pediu calma e foi empurrado para trás.
Cada um defendia o pedaço que a própria mão garantia.
E cada um tinha razão sobre aquele pedaço.
Lá dentro, o elefante continuava de pé, inteiro, comendo o feno.
Rumi fecha a cena falando direto ao leitor.
O olho da palma da mão, escreve ele, não alcança o elefante inteiro.
Se houvesse uma vela, a briga acabava antes de começar.
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