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O Lenhador e as Árvores é a fábula de Esopo em que o bosque, para se livrar de um pedido incômodo, cede ao lenhador o galho de freixo que faltava ao machado, e o machado montado com essa madeira derruba as árvores uma por uma.
O lenhador entrou no bosque de manhã cedo.
Trazia a lâmina do machado embrulhada num pano.
O cabo tinha quebrado na lida da semana anterior.
Sem cabo, a lâmina era só um peso de ferro.
Ele parou diante das árvores e falou alto.
Pediu um galho, um só, para fazer o cabo novo.
Prometeu que, montado o machado, iria trabalhar longe dali.
As árvores fizeram conselho, como fazem os bichos e as plantas nas fábulas.
O carvalho, que era o mais velho, não queria ceder nada.
O cedro achava o pedido pequeno e o homem perigoso.
As árvores menores tremiam as folhas e ficavam quietas.
Foi o carvalho quem deu a ideia final.
Que o homem levasse um galho do freixo.
O freixo era jovem, de madeira reta e forte.
Ninguém gostava muito dele, e ninguém o defendeu.
O freixo ouviu a decisão e não disse nada.
Árvore nova não tinha lugar no conselho.
O galho foi entregue ao lenhador sem demora.
Ele agradeceu e sentou para trabalhar a madeira.
Descascou, desbastou, encaixou o galho no olho da lâmina.
Experimentou o peso, deu dois golpes no ar.
Então caminhou até a primeira árvore e bateu.
Ela caiu com um estalo comprido.
Ele foi à segunda, à terceira, à quarta.
O freixo caiu cedo, cortado com a própria madeira.
O cedro caiu à tarde, com o tronco aberto em lascas.
As árvores menores caíram sem que ninguém contasse.
O carvalho via a fila de tocos chegando perto.
Quando o lenhador parou diante dele, o carvalho falou ao cedro caído.
Disse que o primeiro passo tinha perdido o bosque inteiro.
Se tivessem negado o galho do freixo, ainda estariam de pé.
O lenhador limpou a lâmina e ergueu o machado.
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