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Uma toca, dois donos e um juiz que dizia não ouvir.
O Gato, a Doninha e o Coelhinho é a fábula 16 do livro VII de Jean de La Fontaine, com três personagens: Jean Lapin, o coelho; a doninha, que o texto chama de dona Doninha; e o gato Raminagrobis. A história começa ao amanhecer.
Jean Lapin saiu cedo da toca, como fazia todo dia.
Foi comer tomilho no campo e passear no orvalho.
Deixou a porta aberta, porque nunca tinha precisado fechar.
A doninha passava por perto e viu a entrada livre.
Entrou, olhou os cantos e gostou do lugar.
Trouxe os pertences dela e se instalou sem pressa.
Quando o coelho voltou, encontrou o focinho dela na janela.
"Dona Doninha, saia da minha casa agora mesmo."
"Senão chamo todos os ratos da vizinhança para tirar a senhora."
A doninha nem se mexeu do lugar.
"A terra é de quem ocupa primeiro. Eu cheguei, a toca é minha."
"Que lei deu esta casa ao senhor, e não a mim?"
Jean Lapin respondeu com a voz firme.
"A lei do costume. A toca foi do meu avô, depois do meu pai."
"Agora é minha, e foi assim que chegou até mim."
A doninha deu de ombros e fez uma proposta.
"Vamos levar a questão ao Raminagrobis. Ele decide."
O coelho conhecia a fama do gato e aceitou.
Raminagrobis vivia sozinho, como um eremita devoto.
Era gordo, de pelo macio, e tinha ar de santo.
Os bichos diziam que ele entendia de todas as causas.
Os dois subiram juntos até a porta do juiz.
Cada um começou a contar a própria versão da briga.
O gato ouviu a primeira frase e ergueu a pata.
“Meus filhos, cheguem perto. Estou velho e ouço muito mal.”
A doninha deu um passo, sem desconfiar de nada.
O coelho deu outro passo, ao lado dela.
Agora estavam ao alcance das patas do velho.
Raminagrobis esticou as duas garras ao mesmo tempo.
Pegou a doninha com uma e o coelho com a outra.
E comeu os dois, sem deixar o processo terminar.
A briga acabou ali, com os dois litigantes de acordo.
Nenhum deles voltou para a toca.
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