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O pedido feito de peito aberto, as duas condições do pai, a cirurgia aceita sem discussão e o terreiro atravessado pela segunda vez.
Esopo deixou os dois personagens sem nome próprio: o leão e o lavrador, o dono da mata e o dono da roça, separados por uma cerca de pau a pique. A roça ficava na saída da mata.
A casa tinha terreiro de chão batido.
O lavrador criava cães de guarda no fundo.
A filha dele buscava água na fonte todo dia de manhã.
O leão viu a moça na fonte.
Voltou no dia seguinte para vê-la outra vez.
Voltou na semana inteira.
Deixou de caçar no lado de lá do rio.
Decidiu pedi-la em casamento.
Entrou no terreiro em pleno sol.
Os cães fugiram para debaixo da casa.
O lavrador largou a enxada e ficou de pé na porta.
"Vim pedir a sua filha."
O lavrador olhou as patas do leão.
Olhou os dentes.
Olhou a filha atrás de si, dentro de casa.
"Você é um bom partido."
"Minha filha é criada de mão leve."
"Essas unhas rasgam a roupa dela."
"Esses dentes assustam a menina de noite."
"Tire as unhas e os dentes, e ela é sua."
O leão não discutiu o preço.
Foi embora e voltou no outro dia.
Tinha arrancado os dentes um a um.
Tinha cortado as garras rentes à carne.
Atravessou o terreiro devagar.
Os cães ficaram onde estavam.
Nenhum deles fugiu para debaixo da casa.
O lavrador viu o bicho chegar pela segunda vez.
Viu a boca murcha.
Viu as patas lisas.
Pegou o pau de lenha encostado na parede.
Chamou os cães pelo nome.
Os cães vieram.
"Saia da minha roça."
O leão recuou até a cerca.
Tentou rugir.
O rugido saiu, e ninguém correu.
Tentou levantar a pata.
A pata bateu sem cortar nada.
O lavrador avançou com o pau.
Os cães avançaram atrás dele.
O leão saiu pelo mesmo caminho por onde tinha entrado.
Voltou para a mata sem a moça.
Voltou sem os dentes.
Voltou sem as garras.
A fonte continuou no mesmo lugar.
A filha do lavrador buscou água na manhã seguinte.
Ninguém a esperava na beira da água.
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