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A Raposinha e o Lobo é o conto russo em que a raposa rouba peixe de um camponês, convence o lobo a pescar com o rabo num buraco do gelo e, quando ele perde o rabo, ainda consegue ser carregada nas costas dele.
Tudo começou numa estrada de inverno.
Um camponês voltava da pescaria com o trenó cheio de peixe.
A raposa viu o trenó de longe e deitou no meio da estrada.
Ficou dura, de olhos fechados, como bicho que o frio levou.
O camponês parou e olhou para ela.
Pensou na gola de pele que daria para a mulher.
Jogou a raposa no trenó, em cima dos peixes, e seguiu viagem.
Atrás dele, a raposa abriu os olhos.
Foi jogando peixe na estrada, um por um, sem fazer barulho.
Quando o trenó ficou leve, ela pulou também.
Em casa, o camponês foi buscar a gola e o jantar.
Não achou raposa. Não achou peixe.
Na estrada, a raposa juntava a carga e comia com calma.
Foi aí que o lobo apareceu, magro de inverno.
Perguntou onde ela tinha arranjado tanto peixe.
A raposa respondeu que tinha pescado no rio, com o rabo.
Ensinou o lugar, o buraco e a frase: pesca, peixinho, pequeno e grande.
O lobo desceu ao rio e sentou na beira do buraco.
Baixou o rabo na água preta e começou a repetir.
A raposa rodeava o lobo e dizia a própria frase.
Congela, congela, rabo de lobo.
O lobo perguntou o que ela estava falando.
Estou ajudando, disse a raposa. Peço que venha peixe.
A noite passou. O gelo fechou.
De manhã, o lobo tentou puxar e não conseguiu.
Achou que tinha pescado um peixe enorme.
As mulheres da aldeia chegaram com baldes e viram o lobo preso.
Gritaram, pegaram pau e balde e bateram nele.
O lobo puxou com toda a força e o rabo arrebentou.
Fugiu pelo mato sem rabo, com o corpo doendo.
Nesse meio-tempo, a raposa entrou numa casa vazia da aldeia.
Meteu a cabeça na gamela de massa de pão e se lambuzou.
Saiu cambaleando e encontrou o lobo na estrada.
O lobo reclamou que ela o tinha ensinado errado.
A raposa gemeu que estava pior: tinham batido nela até os miolos saírem.
A massa grudada na cabeça parecia miolo mesmo.
O lobo teve pena e deixou a raposa subir nas costas.
Ele carregou a raposa pela estrada, mancando.
Lá em cima, ela cantava baixinho: o surrado leva o que ninguém surrou.
O lobo perguntou o que ela cantava.
Estou gemendo de dor, disse a raposa.
E ele seguiu carregando.
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