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O tacho lambido, a faca da velha, o rabo no chão e a corrente de cobranças que atravessa sete portas.
Sílvio Romero deixou os personagens sem nome próprio: o macaco, a velha, o pescador, a cozinheira, o tropeiro, o lavrador, a dona da casa e o dono da viola. A história começa numa cozinha de casa de barro.
A velha tinha posto um tacho de canjica no fogo.
Saiu para buscar lenha no quintal.
O macaco entrou pela janela.
Meteu a mão no tacho quente.
Lambeu o dedo e meteu de novo.
A velha voltou com a lenha no braço.
Viu o bicho em cima do fogão.
Pegou a faca de cortar carne.
O macaco pulou para a janela.
A faca pegou o rabo no meio do pulo.
O rabo caiu no chão de terra batida.
O macaco correu até a cerca e parou.
Voltou andando devagar até a porta.
"Dá cá o meu rabo, ou dá cá a tua faca."
A velha não sabia costurar rabo de macaco.
Entregou a faca e fechou a porta.
O macaco foi embora com a faca no ombro.
Na beira do rio encontrou um pescador limpando tainha com um caco de telha.
Emprestou a faca ao pescador.
O pescador forçou a lâmina na espinha.
A faca quebrou no meio.
"Dá cá a minha faca, ou dá cá o teu peixe."
O pescador entregou a tainha maior do balaio.
O macaco seguiu estrada acima com o peixe.
Numa casa de fazenda, uma cozinheira pediu o peixe emprestado para fazer o almoço.
Deixou o peixe na mesa e saiu para peneirar o arroz.
O gato comeu a tainha inteira.
"Dá cá o meu peixe, ou dá cá o teu pão."
A cozinheira entregou o pão do dia.
Na curva da estrada passava uma tropa de burros.
O tropeiro pediu o pão para molhar no café.
Encostou o pão na sela e foi acertar a carga.
O burro da frente comeu o pão de uma vez.
"Dá cá o meu pão, ou dá cá o teu milho."
O tropeiro entregou um cesto de milho.
Adiante havia um lavrador consertando o mourão do curral.
O lavrador pediu o cesto para escorar o mourão.
As galinhas acharam o milho no chão.
Comeram grão por grão até o cesto virar.
"Dá cá o meu milho, ou dá cá a tua galinha."
O lavrador entregou a galinha carijó.
Na última casa da estrada, uma dona de casa guardou a galinha no puleiro.
O cachorro do terreiro achou o puleiro aberto.
Sobrou pena espalhada no chiqueiro.
"Dá cá a minha galinha, ou dá cá a tua viola."
A viola era do filho dela, pendurada na parede da sala.
A dona de casa desceu a viola do prego e entregou.
O macaco subiu na cerca com a viola no colo.
Afinou as cordas com a mão sem calo.
Cantou que tinha saído de casa com um rabo e voltava com uma viola.
A velha ouviu a cantoria da cozinha.
O rabo continuava no chão de terra batida.
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