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Um homem que vivia de cortar lenha, um rio fundo passando ao lado e um ferro que escapou do cabo no meio de um golpe. A fábula vem completa aqui embaixo, reescrita pra sair na sua voz sem tropeço.
Um lenhador derrubava um tronco na beira de um rio, no fim da manhã. O machado era velho, o cabo estava liso de tanto uso e a lâmina já tinha sido amolada mais vezes do que ele lembrava.
No meio de um golpe, o ferro soltou do cabo.
Ele passou por cima do galho, girou no ar e caiu bem no meio do rio.
A água ali era funda e escura. O ferro afundou de uma vez, sem dar tempo de nada.
O lenhador ficou parado na margem com o cabo vazio na mão.
Aquele machado era o trabalho dele. Sem lâmina não tinha lenha, sem lenha não tinha o que vender, e sem o que vender não tinha janta em casa.
Ele sentou no barranco e chorou.
Foi quando um deus apareceu na beira da água e perguntou o que tinha acontecido.
O lenhador contou do golpe, do ferro solto e do rio fundo.
O deus entrou na água e sumiu.
Voltou com um machado de ouro na mão, pesado, brilhando na luz do meio-dia.
O lenhador olhou bem e disse que não.
O deus entrou de novo. Voltou com um machado de prata, mais leve, com o fio limpo e a lâmina sem marca de uso, e perguntou outra vez.
O lenhador disse que não de novo.
Na terceira vez o deus voltou com um ferro velho, sem brilho nenhum, com o gume gasto de um lado só.
O lenhador levantou na hora e disse que era aquele.
O deus devolveu o machado dele. E entregou os outros dois junto, o de ouro e o de prata, pela resposta que tinha ouvido três vezes seguidas.
O lenhador voltou pra casa com os três nos ombros.
À tarde a história já tinha corrido a vila inteira.
Um vizinho ouviu tudo com atenção, pegou o próprio machado, foi até o mesmo trecho do rio e jogou o ferro na água de propósito.
Sentou no barranco e chorou bem alto, pra caso alguém estivesse escutando.
O deus apareceu na beira da água e perguntou o que tinha acontecido.
O vizinho contou a história do jeito que tinha ensaiado no caminho.
O deus entrou na água e voltou com o machado de ouro.
Perguntou se era aquele.
O vizinho disse que sim antes de o deus terminar a pergunta.
O deus não entregou nada.
Levou o machado de ouro de volta pro fundo, e o ferro do vizinho ficou lá embaixo junto.
O vizinho voltou pra vila sem ouro, sem prata e sem o machado com que tinha saído de casa de manhã.
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