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Um pote de barro, uma folha de bananeira, uma sumaúma de tronco liso e um menino escondido no capim.
Anansi e o Pote da Sabedoria é um conto akan, de Gana, com dois personagens nomeados: a aranha Kwaku Anansi e o filho dele, Ntikuma. A história começa numa manhã de seca.
Anansi acordou com uma ideia na cabeça.
Se ele soubesse tudo, todos teriam de pedir a ele.
Pegou um pote de barro vazio na cozinha.
Saiu pela aldeia batendo de porta em porta.
Pediu ao ferreiro o segredo do fogo forte.
Pediu à tecelã o jeito de cruzar os fios.
Pediu ao caçador o rastro de cada bicho.
Pediu às velhas os remédios das folhas.
Cada um deu um pouco do que sabia.
Anansi guardava tudo no pote e agradecia.
Andou por muitas aldeias durante muitos dias.
Quando o pote pesou, ele voltou para casa.
Tampou a boca com uma folha de bananeira.
Amarrou a folha com cipó bem apertado.
Sentou e olhou o pote a noite inteira.
Ali estava toda a sabedoria do mundo.
E ninguém mais tinha nenhuma.
Então veio o medo.
Alguém podia entrar e abrir o pote.
A mulher podia tropeçar nele.
Os filhos podiam brincar com ele.
Anansi decidiu esconder o pote no alto.
Escolheu a sumaúma mais alta da mata.
Amarrou o pote na frente do corpo, sobre a barriga.
Saiu antes do sol, para ninguém ver.
Não viu que Ntikuma vinha atrás.
O menino deitou no capim e ficou olhando.
Anansi abraçou o tronco e começou a subir.
O pote bateu na casca e ele escorregou.
Tentou outra vez, e o pote bateu de novo.
Subiu um palmo e caiu dois.
Suou, bufou e xingou a árvore.
Tentou pela quarta vez e voltou ao chão.
Ntikuma levantou do capim.
"Pai, amarre o pote nas costas e suba com as mãos livres."
Anansi olhou para o filho.
Olhou para o pote.
Desamarrou o pote da barriga e amarrou nas costas.
Subiu a sumaúma sem escorregar nenhuma vez.
Lá em cima, na forquilha, ele parou.
Tinha toda a sabedoria do mundo no pote.
E um menino tinha sabido o que ele não sabia.
A raiva subiu mais depressa que ele.
Anansi arrancou o pote das costas e o jogou lá de cima.
O barro bateu numa pedra e se partiu em cacos.
A sabedoria escorreu pelo chão.
A chuva daquela tarde lavou tudo para o riacho.
O riacho levou para o rio, e o rio levou para o mar.
Cada pessoa que bebeu daquela água ficou com um pouco.
Desde aquela tarde, ninguém tem toda a sabedoria.
E todo mundo tem alguma.
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