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Um pote de boca estreita, um punhado grande demais e uma criança chorando de mão presa. A fábula vem completa aqui embaixo, reescrita pra sair na sua voz sem tropeço.
Numa casa antiga havia um pote de barro guardado na despensa, de boca estreita e barriga larga, cheio de avelãs até a metade. As avelãs eram o doce da casa.
Um menino andava rondando aquele pote fazia dias.
Numa tarde, ele achou a despensa vazia e a porta encostada.
Entrou devagar, subiu no banco de madeira e alcançou a prateleira de cima.
O pote estava ali, fresco, pesado, com a boca no tamanho exato de uma mão de criança.
O menino tirou a tampa e olhou dentro. As avelãs iam quase até a metade.
Ele enfiou a mão no gargalo sem dificuldade nenhuma. A mão aberta entrou lisa.
Lá dentro, abriu os dedos e foi juntando. Uma, duas, cinco, dez avelãs.
Continuou juntando. Quinze. Vinte. Fechou o punho em volta de tudo o que conseguiu agarrar.
Então puxou o braço pra fora.
O punho bateu no gargalo e parou.
Ele puxou de novo, com mais força. O punho bateu de novo e parou de novo.
Ele torceu o braço, virou o pote de lado, sacudiu.
Nada. O punho fechado era maior que a boca do pote.
O menino puxou até o barro rasgar a pele do pulso.
E começou a chorar de raiva, ali em cima do banco, com o braço enfiado até o meio.
Chorou alto, e o choro trouxe alguém.
Uma pessoa da casa apareceu na porta da despensa e olhou a cena inteira de uma vez.
O menino chorando, o banco torto, o pote pendurado no braço dele.
O que houve?, perguntou.
Está preso, disse o menino. O pote agarrou minha mão.
A pessoa chegou perto e olhou dentro do gargalo.
O pote não agarrou nada, respondeu. Ele está parado desde ontem.
Então por que não sai?
Porque você pegou demais de uma vez.
O menino puxou mais uma vez, com toda a força, e o braço nem se mexeu.
Solte metade, disse a pessoa. Deixe cair metade lá dentro e tente de novo.
O menino não quis. Ele tinha juntado aquilo com trabalho.
Ficou mais um tempo puxando, e o braço continuou onde estava.
Aí ele abriu um pouco os dedos e deixou cair umas quantas.
Puxou. Ainda não passou.
Abriu mais. Deixou cair até sobrar metade do punhado.
Puxou outra vez, e a mão saiu do gargalo sem esforço nenhum.
O menino ficou olhando as avelãs na palma da mão, com o pulso vermelho e o rosto molhado.
Eram menos do que ele queria, e eram todas dele.
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