In partnership with

Fábula do Dia   Fábula do Dia
ED 077
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
              
{{ofensiva_curta | comece hoje}}
Ver ofensiva →

Você escolhe a edição de amanhã: a votação está no fim desta edição.

{{subiu_orn | }} {{subiu_num | }} {{subiu_orn | }}

{{subiu_caps | }}

{{subiu_linha | }}

O sapo pequeno que foi processar o Céu

No conto popular do Vietnã, a seca empurra um sapo escada acima, e ele volta do palácio de jade com a chuva prometida.

Um sapo pequeno em cima de um tambor no portão de um palácio nas nuvens, com um caranguejo, abelhas e um galo ao lado.

O sapo e seus aliados no portão do Céu

▼
 

“Se o Céu não desce até nós, a gente sobe até ele”, disse o sapo aos bichos reunidos no fundo rachado do lago, numa aldeia de arrozais do norte do Vietnã.

Fazia três anos sem chuva. O arroz secou no pé, os poços viraram buraco de pó e os búfalos andavam com as costelas à mostra.

Os rios encolheram até virar fio. Os peixes boiavam de lado nas poças que restavam, e os pássaros paravam de cantar antes do meio-dia.

Gente e bicho olhavam para cima todos os dias. O céu seguia azul, limpo, sem uma nuvem que prometesse água.

Ninguém sabia por que a chuva tinha parado. Corria a conversa de que o Imperador de Jade (o soberano do Céu na crença vietnamita) tinha esquecido a Terra.

Os bichos maiores reclamavam e não faziam nada. O tigre dormia à sombra. O búfalo esperava. Cada um aguardava que outro tomasse a frente.

Foi o sapo, o menor e mais feio da roda, quem decidiu ir lá em cima cobrar.

A ideia parecia piada. Um sapo mal pula um degrau, e a escada do Céu, nas histórias do lugar, não tem fim.

Ele não pediu licença a ninguém. Juntou a coragem que tinha, apertou a barriga seca e começou a andar.

No caminho, cruzou com um caranguejo, um enxame de abelhas e um galo. Todos sofriam a mesma sede, e todos riram dele antes de aceitar o convite.

O caranguejo tinha a lama do rio rachada embaixo das patas. As abelhas não achavam uma flor aberta. O galo cantava toda manhã para um sol que só queimava.

Juntos, os quatro subiram até o portão do palácio. O que fizeram lá dentro, contra os guardas do Imperador, está logo abaixo. Depois, de onde vem o sapo que manda na chuva. Por fim, o que a coragem dele ensina a quem lê junto com uma criança.

Continue lendo ↓

 
 

I  A Fábula do Dia

A subida até o palácio de jade

Cóc kiện Trời (O sapo processa o Céu), conto popular do Vietnã, leva o sapo e seus três aliados até o portão do Imperador de Jade numa só noite de caminhada.

Diante do portão havia um tambor enorme, posto ali para quem quisesse queixa ao soberano. O sapo pulou em cima dele e começou a bater com as patas.

O galo subiu no muro e cantou com toda a força. O barulho atravessou os corredores do palácio e acordou a corte inteira.

O Imperador de Jade ficou furioso. Mandou os guardas descobrirem quem ousava fazer tanta bagunça na porta do Céu.

Os guardas voltaram rindo. Era só um sapo, sujo de poeira, batendo num tambor maior do que ele.

O soberano mandou expulsar o intruso. Antes de sair, o sapo deu ordens aos aliados, cada um num lugar.

O caranguejo entrou no pote d'água ao lado do portão. As abelhas se esconderam atrás da porta. O galo ficou no alto do muro, vigiando.

Os guardas avançaram. As abelhas saíram de uma vez e picaram rosto, braço e pescoço de todos eles. Os soldados largaram as lanças e correram.

O Imperador apelou para o Thần Sấm (o deus do trovão), o guarda mais temido do palácio. Ele chegou com o machado na mão e o trovão no peito.

As abelhas foram para cima dele. Picado no rosto, o deus do trovão correu para o pote d'água, procurando alívio.

Dentro do pote, o caranguejo esperava. Fechou as pinças no nariz do deus, que gritou e saiu de cabeça molhada.

Tonto, ele tropeçou no degrau. O galo voou do muro e bicou a cabeça dele até o machado cair no chão.

O Imperador de Jade entendeu que não ia vencer pela força. Mandou chamar o sapo ao trono.

O sapo entrou de cabeça erguida e falou sem rodeio: a Terra estava seca, o povo e os bichos sofriam, e o Céu não mandava chuva havia três anos.

O soberano ouviu. Admitiu o descuido e mandou o deus da chuva cuidar da Terra logo.

Fez também uma promessa ao sapo. Dali em diante, bastaria ele coaxar, e o Céu mandaria chuva sem esperar outro pedido.

Os quatro desceram. Antes de chegarem ao arrozal, as primeiras gotas já batiam na terra rachada.

 
 

II  A Origem

Os sapos dos tambores de bronze

O sapo que manda na chuva é mais antigo do que o conto: ele aparece fundido em bronze nos tambores da cultura de Đông Sơn, que floresceu no norte do Vietnã por volta de mil anos antes de Cristo.

Os tambores de Đông Sơn (a cultura do bronze que nasceu no vale do rio Vermelho) são o objeto mais conhecido da arqueologia vietnamita. Alguns passam de um metro de diâmetro.

Na face de cima de muitos deles há pequenas estátuas de sapos, sentados em volta da borda. Os arqueólogos ligam essas figuras aos ritos de pedir chuva.

O tambor de Ngọc Lũ, achado no norte do país e guardado no Museu Nacional de História do Vietnã, em Hanói, é um dos mais estudados. Na face de cima, traz barcos, garças de pernas longas e gente pilando arroz.

O porquê do sapo

A escolha do bicho tem lógica de quem planta arroz. O sapo coaxa mais forte quando o ar fica úmido, pouco antes da tempestade.

Para o lavrador sem previsão do tempo, o coaxo era o primeiro sinal de água chegando. Do sinal para a causa foi um passo curto: quem anuncia a chuva passou a ser quem a chama.

O arroz alagado depende de chuva na hora certa. Um ano de seca, numa aldeia de arrozal, significava fome no seguinte.

As versões do conto

O conto foi passado de boca em boca por séculos. Nguyễn Đổng Chi, folclorista vietnamita, reuniu uma versão escrita na coletânea Kho tàng truyện cổ tích Việt Nam (Tesouro dos contos populares do Vietnã), publicada a partir de 1958.

Os aliados mudam conforme quem conta. Na versão mais ensinada nas escolas vietnamitas, o sapo leva também a raposa, o urso e o tigre.

Nessa versão, o Imperador manda primeiro uma galinha, que a raposa come, e depois um cachorro, que o urso derruba. O tigre fica de guarda contra o resto. O galo entra em versões contadas no campo, onde faz o papel do barulho.

O desfecho não muda em nenhuma delas: o deus do trovão apanha das abelhas e do caranguejo, e o sapo sai do palácio com a promessa.

“Con cóc nghiến răng, trời đổ mưa.”

Provérbio popular do Vietnã, de autoria anônima: “O sapo range os dentes, e o Céu derrama a chuva.”

O sapo no ano lunar

O conto ganhou lugar até no calendário de festas. No Tết (o Ano-Novo lunar vietnamita), avós contam a história aos netos, e figuras de sapo de barro aparecem em feiras de aldeia.

Em várias regiões, matar sapo no quintal ainda é visto como chamar seca para a família. O respeito ao bicho passou do conto para o costume.

 

Quem banca a edição de hoje

Silver Miners Have Outrun Silver Since 2020

Since March 2020, silver has returned about 402%. The silver miners returned 445%.

That gap is the leverage our research team focuses on. When silver rises, a producer's net asset value can rise much faster, and share prices tend to follow. It works in both directions, and a mine is only as good as the company running it.

The Ultimate Silver Playbook shows how the team separates the miners worth owning from the rest, and which silver stocks are on its watchlist now. It's free.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

III  A Lição que Fica

Quem pequeno cobra o grande

O sapo não tinha força, nem tamanho, nem cargo. Tinha só a sede de todo mundo e a coragem de ir cobrar.

Os bichos maiores esperaram. O tigre, o búfalo e o urso tinham mais força do que ele, e nenhum deles saiu do lugar.

A primeira lição está na escolha de ir. Quem espera que outro reclame pode esperar a seca inteira.

Sozinho, o sapo não passava do portão; com aliados, entrou na sala do trono.

A segunda lição está no time. Cada aliado fez uma parte só, a que sabia fazer: picar, beliscar, cantar, bicar. Ninguém precisou ser herói sozinho.

A terceira está na conversa. Depois de vencer os guardas, o sapo não pediu vingança nem castigo. Pediu chuva, o que tinha ido buscar, e aceitou o acordo.

O acordo também mostra limite. O sapo não ficou morando no palácio nem pediu coroa. Desceu com a promessa no bolso e voltou ao lago seco de onde tinha saído, para esperar a água junto com os outros.

O conto também não esconde o custo. O sapo arriscou levar uma surra no portão, e os aliados arriscaram junto com ele.

Na escola, a cena aparece no aluno pequeno que vai à diretoria pedir o bebedouro consertado em nome da turma. Em casa, no filho que junta os irmãos para pedir mais meia hora no parque.

No bairro, aparece nos vizinhos que se juntam para cobrar a prefeitura pelo buraco na rua. Um só morador cansa; dez, com tarefas divididas, são atendidos.

Ler o conto com uma criança é mostrar que tamanho não decide quem tem direito de falar. Quatro paradas ajudam na leitura.

• Na seca: peça para a criança contar o que ela sentiria com três anos sem chuva.

• No convite: pergunte por que os bichos grandes ficaram parados.

• No portão: pergunte qual aliado ela levaria e para fazer o quê.

• No trono: pergunte por que o sapo pediu chuva e não castigo.

“Que pedido justo você tem guardado por medo de ser pequeno demais?”

O arrozal voltou a encher de água naquele mesmo verão. O sapo voltou ao lago.

Fica a pergunta  ·  até amanhã

Que parentesco o ditado vietnamita dá ao sapo diante do Céu?

 
 
Quiz da edição

No conto, para onde o deus do trovão correu em busca de alívio depois de ser picado pelas abelhas, caindo direto na armadilha do caranguejo?

APara o alto do muro, junto do galo
BPara debaixo do tambor na entrada do palácio
CPara o pote d'água ao lado do portão
DPara o rio seco da aldeia

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

🦊🦊🦊🦊🦊  ótima 🦊🦊🦊🦊  boa 🦊🦊🦊  ok 🦊🦊  ruim 🦊  péssima
 
Escolha a edição de amanhã

Qual edição você quer ver amanhã?

Voto aberto até 23/10, 23h

A A Gota de Mel →
B A Navalha de Leonardo →
C Iktomi e os Patos →
D O Boneco de Cera →
 
 

Quem banca a edição de hoje

Your fall escape awaits

Mountain air, city lights or somewhere new? There's still time to make your fall plans take flight with Alaska Airlines. See the fall foliage in Boston, sip cider in Seattle, or swap your flannel for a swimsuit and head to Hawai'i.

Subject to availability. Terms and conditions apply.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
Recomendação de Newsletter
Crime Aberto

Crime Aberto

Toda noite, às 20:20, um caso brasileiro que ficou em aberto. O que os autos dizem, o que os autos silenciam e onde o sistema falhou.

Quero receber →

 
Sua ofensiva
🔥 {{streak_atual | 0}} {{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}} recorde {{streak_recorde | 0}}
Seus últimos 6 dias e hoje
{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

missão de hoje

📨 Mandar seu link pra 1 pessoa (1x por dia) +10
WhatsApp   Copiar link

Confirmou? +100 de ouro: entra no seu ouro à noite.

{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
{{rank_simbolo | Ⅰ}} {{rank_nome | Aprendiz}} · {{moedas | 0}} de ouro · loja e missões →
 
 
 

A história é sua agora.

Fábula do Dia

FÁBULA DO DIA

Uma fábula por dia, e a lição que fica

💬 Receba pelo WhatsApp·✍️ Crie sua Newsletter
📚 Leia o acervo completo