|
Cóc kiện Trời (O sapo processa o Céu), conto popular do Vietnã, leva o sapo e seus três aliados até o portão do Imperador de Jade numa só noite de caminhada.
Diante do portão havia um tambor enorme, posto ali para quem quisesse queixa ao soberano. O sapo pulou em cima dele e começou a bater com as patas.
O galo subiu no muro e cantou com toda a força. O barulho atravessou os corredores do palácio e acordou a corte inteira.
O Imperador de Jade ficou furioso. Mandou os guardas descobrirem quem ousava fazer tanta bagunça na porta do Céu.
Os guardas voltaram rindo. Era só um sapo, sujo de poeira, batendo num tambor maior do que ele.
O soberano mandou expulsar o intruso. Antes de sair, o sapo deu ordens aos aliados, cada um num lugar.
O caranguejo entrou no pote d'água ao lado do portão. As abelhas se esconderam atrás da porta. O galo ficou no alto do muro, vigiando.
Os guardas avançaram. As abelhas saíram de uma vez e picaram rosto, braço e pescoço de todos eles. Os soldados largaram as lanças e correram.
O Imperador apelou para o Thần Sấm (o deus do trovão), o guarda mais temido do palácio. Ele chegou com o machado na mão e o trovão no peito.
As abelhas foram para cima dele. Picado no rosto, o deus do trovão correu para o pote d'água, procurando alívio.
Dentro do pote, o caranguejo esperava. Fechou as pinças no nariz do deus, que gritou e saiu de cabeça molhada.
Tonto, ele tropeçou no degrau. O galo voou do muro e bicou a cabeça dele até o machado cair no chão.
O Imperador de Jade entendeu que não ia vencer pela força. Mandou chamar o sapo ao trono.
O sapo entrou de cabeça erguida e falou sem rodeio: a Terra estava seca, o povo e os bichos sofriam, e o Céu não mandava chuva havia três anos.
O soberano ouviu. Admitiu o descuido e mandou o deus da chuva cuidar da Terra logo.
Fez também uma promessa ao sapo. Dali em diante, bastaria ele coaxar, e o Céu mandaria chuva sem esperar outro pedido.
Os quatro desceram. Antes de chegarem ao arrozal, as primeiras gotas já batiam na terra rachada.
|