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Um brejo pequeno, um boi que desceu pra beber sem olhar pra ninguém e um sapo que resolveu chegar no tamanho dele. A fábula vem completa aqui embaixo, reescrita pra sair na sua voz sem tropeço.
Numa tarde quente, um sapo tomava sol na beira do brejo com os dois filhos. O brejo era pequeno, o barro era macio e, até ali, nenhum dos três tinha reclamado do tamanho de coisa nenhuma.
Foi quando um boi desceu o barranco pra beber água.
O bicho era enorme. A sombra dele cobriu a beira inteira do brejo e o barro tremeu de leve a cada passo.
Os dois filhos correram pra trás de uma touceira de capim e ficaram espiando.
O boi baixou a cabeça, bebeu sem pressa, levantou a cabeça de novo e subiu de volta pelo mesmo barranco.
Ele não olhou pro sapo em nenhum momento. Nem sabia que tinha um sapo ali.
Quando o barro parou de tremer, o filho mais velho voltou e disse que nunca tinha visto bicho tão grande.
O sapo não gostou da frase.
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Grande? Aquilo ali não é tamanho nenhum. Eu chego lá quando eu quiser.
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E encheu o peito de ar.
Ficou um pouco mais largo e perguntou pros filhos se já estava do tamanho do boi.
Os dois disseram que não, que faltava muito.
O sapo puxou mais ar. A pele esticou, as costas arredondaram e ele ficou parecendo uma bola verde na beira da água.
Perguntou de novo. Os filhos disseram que estava maior, mas que ainda faltava um bocado.
O sapo puxou mais ar ainda. Quanto mais ele enchia o peito, menos ele conseguia enxergar o próprio brejo.
O filho mais novo pediu pra ele parar. Disse que o boi já tinha ido embora fazia tempo e que ninguém mais estava olhando.
O sapo não ouviu. Perguntou pela terceira vez se já estava chegando, e recebeu a mesma resposta de antes.
Então puxou mais um ar, e mais um, e mais um.
A pele esticou até onde dava, e um pouco além.
E estourou como uma bexiga cheia demais.
O ar saiu de uma vez só, e o brejo voltou a ser do tamanho que sempre tinha sido.
Os dois filhos ficaram parados um tempo, olhando pra água.
O mais novo foi o primeiro a falar. Perguntou por que o pai tinha querido virar boi, se boi não nada, não coaxa e não cabe em brejo nenhum.
O mais velho olhou pro barranco vazio e não soube o que responder.
O boi, a essa altura, já estava longe. Pastava num campo aberto sem saber que tinha servido de medida pra alguém.
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