In partnership with

Fábula do Dia   Fábula do Dia
ED 055
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
              
{{ofensiva_curta | comece hoje}}
Ver ofensiva →

A 13ª pauta escolhida pelos leitores. Aqui está.

{{subiu_orn | }} {{subiu_num | }} {{subiu_orn | }}

{{subiu_caps | }}

{{subiu_linha | }}

O troll que resolveu esperar o bode maior

Na ponte do conto norueguês, dois bodes pequenos passam com uma frase só, e o terceiro sobe sem pedir licença.

Um bode grande de chifres longos sobe numa ponte de madeira sobre um riacho enquanto um troll surge debaixo das tábuas.

O bode grande sobe na ponte do troll

▼
 

"Quem é que está batendo casco na minha ponte?", rugiu o troll debaixo das tábuas, na passagem do riacho que separa o vale do pasto da encosta.

A pergunta abre Os Três Bodes Gruff, conto popular da Noruega que Peter Christen Asbjørnsen e Jørgen Moe recolheram da boca de camponeses e publicaram na década de 1840, na coletânea Norske Folkeeventyr (Contos Populares Noruegueses).

O cenário cabe numa linha. Do lado de cá do riacho, a grama acabou. Do lado de lá, a encosta está verde, e os três bodes querem subir para engordar.

Para chegar lá existe uma ponte só. E debaixo dela mora um troll (criatura das lendas nórdicas, grande, feia e sempre com fome) de olhos do tamanho de pratos e nariz comprido como cabo de vassoura.

Os três bodes têm o mesmo sobrenome, Gruff, e tamanhos diferentes. O menor tem pouca carne. O do meio tem um pouco mais. O maior tem chifres do comprimento de um braço.

O troll ouve cada passo que cruza as tábuas. Qualquer bicho que atravesse vira jantar, e até aquela manhã nenhum tinha passado.

O menor sobe primeiro. O troll pergunta quem é, ameaça devorá-lo, e o bodinho responde com uma proposta: espere o meu irmão, que vem logo atrás e é bem mais gordo.

O troll aceita. O do meio sobe, ouve a mesma ameaça e repete a mesma proposta, agora apontando para o irmão maior.

O troll aceita outra vez. Dois almoços passam por cima da cabeça dele, cada um trocado por uma promessa de almoço maior.

O conto não tem moral escrita no fim nem narrador explicando nada. Tem uma ponte, um monstro guloso e uma frase repetida duas vezes, até o terceiro bode chegar sem frase nenhuma.

Adiante, a travessia inteira, passo por passo. Depois, o caminho do conto das fazendas da Noruega até os livros ingleses. No encerramento, o que a ponte ensina sobre trocar o que se tem na mão pelo que ainda vem.

Continue lendo ↓

 
 

I  A Fábula do Dia

Três travessias na mesma ponte

Os Três Bodes Gruff é o conto norueguês em que três bodes irmãos atravessam uma ponte guardada por um troll: os dois menores escapam mandando o troll esperar pelo seguinte, e o maior sobe para brigar.

A manhã começou com fome.

O pasto do vale estava roído até a terra.

Na encosta, do outro lado do riacho, a grama crescia alta.

O menor dos bodes Gruff foi o primeiro a pisar na ponte.

Os cascos pequenos fizeram tripp, trapp nas tábuas.

Lá de baixo veio a voz grossa: quem está andando na minha ponte?

É o menor dos bodes Gruff, disse ele, com voz fina.

Vou subir para comer a grama da encosta.

Pois eu vou subir para te engolir, respondeu o troll.

O bodinho não correu nem tentou lutar.

Não me coma, que eu sou pequeno demais, pediu.

Espere o segundo bode Gruff. Ele vem logo, e é bem maior.

O troll pensou na barriga e deixou passar.

Pouco depois, a ponte fez tripp, trapp mais forte.

Quem está andando na minha ponte?, rugiu o troll de novo.

É o segundo bode Gruff, disse o do meio, com voz menos fina.

O troll repetiu a ameaça, palavra por palavra.

O segundo bode repetiu a proposta, com um detalhe a mais.

Espere o terceiro. Esse sim é grande.

O troll deixou passar outra vez.

Então a ponte inteira rangeu e gemeu.

O bode maior pesava tanto que as tábuas vergavam.

Quem está andando na minha ponte?, gritou o troll.

É o grande bode Gruff, respondeu uma voz rouca e forte.

Vou subir para te engolir, disse o troll, e subiu na ponte.

O bode grande não propôs nada.

Disse que trazia duas lanças e duas pedras de moer.

As lanças eram os chifres. As pedras eram os cascos.

Ele baixou a cabeça e partiu para cima do troll.

Furou os olhos dele, quebrou os ossos e o jogou no riacho.

A correnteza levou o troll para longe da ponte.

Depois subiu a encosta atrás dos irmãos.

Os três comeram tanto que mal conseguiam voltar para casa.

 
 

II  A Origem

Das fazendas de Asbjørnsen ao inglês de Dasent

O conto chegou ao papel pela mão de dois amigos noruegueses que saíram a pé pelas fazendas do país anotando o que os camponeses contavam à noite.

Peter Christen Asbjørnsen era naturalista, estudioso de plantas e bichos. Jørgen Moe era teólogo e, mais tarde, bispo. Os dois se conheceram adolescentes e decidiram juntos recolher as histórias que o povo contava.

A coletânea saiu em fascículos a partir de 1841, com o nome Norske Folkeeventyr. Eventyr quer dizer conto popular, a história de fada e de bicho falante contada ao pé do fogo.

Por que o trabalho pesou

A Noruega tinha deixado de pertencer à Dinamarca em 1814 e ainda escrevia num dinamarquês de gabinete. Os dois autores levaram para o livro o jeito de falar das fazendas, com frases curtas e palavras do campo.

Essa escolha ajudou a formar a língua escrita norueguesa. Os contos viraram leitura de escola e ficaram no ouvido de gerações, com o tripp, trapp dos cascos na ponte.

O nome dos bodes

No original, os bodes se chamam Bukkene Bruse (os bodes Bruse). Bukk é bode. Bruse era um sobrenome de fazenda sem tradução exata, e cada língua inventou o seu.

Em inglês, o nome veio de George Webbe Dasent, diplomata e estudioso britânico que traduziu a coletânea em 1859 com o título Popular Tales from the Norse (Contos Populares do Norte). Ele escolheu Gruff, que em inglês quer dizer rouco, de voz grossa.

A escolha casou com a cena. O terceiro bode é o que fala grosso na ponte, e o sobrenome passou a soar como uma descrição da família inteira.

Bem, venha! Tenho duas lanças e com elas vou furar teus olhos; tenho duas pedras enormes e com elas vou moer teus ossos.

George Webbe Dasent, Popular Tales from the Norse, 1859: a fala do bode grande no ponto em que o troll sobe na ponte.

O tipo do conto

Os folcloristas guardam os contos por tipo. No catálogo internacional revisado pelo alemão Hans-Jörg Uther em 2004, conhecido como índice ATU, esta história entra no tipo 122E, o do bicho que escapa mandando o predador esperar por uma presa mais gorda.

O mesmo esquema aparece em contos de outros países. A graça norueguesa está na ponte, na repetição exata das falas e no terceiro irmão que quebra a regra.

Nas fazendas, a história era contada em voz alta, e quem contava mudava a voz para cada bode: fina, média, grossa. A escada de três degraus deixava a criança adivinhar a próxima fala e esperar, de olhos arregalados, a hora em que a escada quebra.

O conto termina com uma fórmula que as crianças da Noruega sabem de cor: snipp, snapp, snute, her er det eventyret ute. Em português, algo como: e assim acabou a história.

 

Quem banca a edição de hoje

You're invited to the world's largest virtual email marketing conference.

Become an email marketing GURU for FREE.

GURU Conference, powered by Constant Contact, is back November 12–13. It's 100% virtual and 100% free, and it's packed with tactics you can use right away on newsletters, deliverability, design trends, AI, and what NOT to do with email.

What to expect:

  • Speakers including Molly Ringwald, Dan Levy, Amy Porterfield, Frank Vella + more

  • Sessions from world-class marketers at top brands

  • Networking every day

  • DJs, world-record breaking, and an alarming amount of rom-com fun!

Last year, 29,000+ marketers joined us. This year is even bigger, and spots are limited.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

III  A Lição que Fica

A promessa que o troll aceitou duas vezes

O troll teve dois almoços na boca e trocou os dois por um terceiro que não conseguiu engolir.

O erro dele tem nome simples: ganância. Com o menor bode, ele já tinha uma refeição garantida. Preferiu esperar uma maior. Com o do meio, fez a mesma conta e dobrou a aposta.

Cada troca parecia esperta no momento em que foi feita. Somadas, deixaram o troll sem nada e no fundo do riacho.

Quem troca o almoço de agora pela promessa de um banquete depois acaba negociando com o bode que não negocia.

O conto também guarda uma lição para os bodes pequenos. Eles não tinham força para lutar e não fingiram ter. Usaram a única arma que carregavam, a palavra certa na hora certa.

Há um detalhe que as crianças notam na segunda leitura: os bodes pequenos dizem a verdade. O irmão de trás era mesmo maior. Eles não enganaram o troll com mentira. Deixaram que a gula dele fizesse o resto.

O bode grande responde de outro modo porque está em outra posição. Quem tem chifre e casco não precisa de proposta. Precisa só atravessar.

Em casa, a cena aparece na criança que recusa o biscoito de agora porque ouviu falar de um bolo mais tarde, e fica sem os dois. Na escola, no aluno que larga o trabalho feito pela metade esperando um tema melhor.

No adulto, aparece no vendedor que recusa o cliente pequeno esperando o grande, e no investidor que deixa passar a oportunidade modesta à espera da que vai mudar tudo.

A diferença entre paciência e gula está no que se tem na mão. O troll tinha o almoço garantido e abriu mão dele. Quem espera sem largar o que já tem corre outro risco.

Antes de ler: pergunte à criança se ela já trocou um doce bom por outro que prometia ser melhor.

Na primeira travessia: pare quando o bodinho pede para o troll esperar e pergunte se ela aceitaria a proposta.

Na segunda: pergunte por que o troll aceita de novo, se já foi enganado uma vez.

Na terceira: pergunte por que o bode grande não manda o troll esperar ninguém.

“O que você deixou passar esperando algo maior?”

O troll caiu no riacho.

Os bodes engordaram.

 
 
Sorteia o seu degrau de hoje. Oito degraus, um por dia. O ebook ensina, o app cobra. Sortear meu degrau de hoje.

Sortear meu degrau de hoje →

 
Quiz da edição

Quem traduziu a coletânea norueguesa para o inglês em 1859 e deu aos bodes o sobrenome 'Gruff'?

APeter Christen Asbjørnsen
BGeorge Webbe Dasent
CJørgen Moe
DHans-Jörg Uther

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

🦊🦊🦊🦊🦊  ótima 🦊🦊🦊🦊  boa 🦊🦊🦊  ok 🦊🦊  ruim 🦊  péssima
 
Escolha a edição de domingo

Qual edição você quer ver?

1 toque vota. A mais votada sai no domingo, 04/10.

Voto aberto até 02/10, 15h30

A Os Animais Doentes de Peste →
B Bertrand e Ratão →
C O Cervo na Fonte →
D A Tigela de Madeira →
 
 

Quem banca a edição de hoje

Your Boss Will Think You’re an Ecom Genius

Optimizing for growth? Go-to-Millions is Ari Murray’s ecommerce newsletter packed with proven tactics, creative that converts, and real operator insights—from product strategy to paid media. No mushy strategy. Just what’s working. Subscribe free for weekly ideas that drive revenue.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
Recomendação de Newsletter
Mitologia do Dia

Mitologia do Dia

Todo dia, 12:12. Um mito grego virado do avesso: o padrão que ele descreve, e onde ele aparece em você.

Quero receber →

 
Indique e destrave

Indique essa newsletter para um amigo

Cada leitor confirmado pelo seu link sobe um degrau da escada de prêmios.

  
você1

{{indicacoes_confirmadas | 0}} confirmadas · faltam {{indicacoes_falta | 1}} pra próxima recompensa

● 1
Pack de wallpapers
Pack de wallpapers
■ 3
Edição de Colecionador do mês
Edição de Colecionador do mês
▲ 5
ebook A Escada de 21 Noites
ebook A Escada de 21 Noites

Pegar meu link de indicação →

 
Sua ofensiva
🔥 {{streak_atual | 0}} recorde
{{streak_recorde | 0}}

{{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}}

{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

sua patente

{{rank_simbolo | ◆}} {{rank_nome | Aprendiz}}

 

faltam {{xp_falta | 5}} de ouro pra {{rank_prox | próxima patente}}

{{edicoes_lidas | 1}}
edições
{{cliques | 0}}
cliques
{{avaliacoes_feitas | 0}}
avaliações
{{moedas | 0}} de ouro na carteira 🏪 loja e missões no hub
{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
 
Amanhã nesta news

ED 056 · amanhã às 19:19

O lobo que pescou com o rabo no gelo

No conto russo recolhido por Afanassiev, o lobo perde o rabo no rio congelado e ainda leva a raposa nas…

 
 
 

A história é sua agora.

Fábula do Dia

FÁBULA DO DIA

Uma fábula por dia, e a lição que fica

💬 WhatsApp·📣 Anuncie·✍️ Newsletter