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O dia do atrelamento, o formato de cada puxão e o que restou da carroça quando os três pararam para tomar fôlego.
O cisne, o lúcio e o caranguejo combinaram levar uma carroça carregada. Fecharam o acordo entre eles, sem patrão e sem sorteio de função.
A carroça estava na beira da estrada.
A carga era leve.
Qualquer um dos três daria conta sozinho, com esforço e tempo.
Eles preferiram dividir o serviço.
Amarraram os três na mesma corda.
O cisne ficou na ponta de cima.
O lúcio ficou virado para a água.
O caranguejo ficou de costas para a estrada.
Ninguém reclamou da posição.
Deram o primeiro puxão juntos.
O cisne abriu as asas e subiu.
Puxou a corda na direção das nuvens.
A frente da carroça levantou um palmo do chão.
O lúcio se jogou para o rio.
Puxou a corda na direção da água.
A carroça inclinou para o lado do barranco.
O caranguejo cravou as patas na terra e recuou.
Puxou a corda para trás, com o corpo inteiro.
A carroça voltou ao ponto onde estava.
Os três puxaram de novo.
Desta vez com mais força.
O cisne bateu as asas até perder pena.
O lúcio esticou o corpo até a cauda sair da água.
O caranguejo abriu um sulco na terra com as patas.
A corda ficou dura como vara.
A madeira da carroça rangeu.
Uma tábua da lateral trincou.
A roda da frente girou meia volta e travou.
Nenhum dos três afrouxou.
Nenhum dos três olhou para o lado.
Cada um puxava com toda a força que tinha.
Cada um puxava para um lugar diferente.
O sol subiu e desceu sobre a estrada.
A carroça continuou no mesmo ponto da terra.
O cisne parou primeiro, sem fôlego.
O lúcio afundou para respirar.
O caranguejo soltou as patas e ficou quieto.
Os três estavam exaustos.
A carga estava intacta.
Ninguém tinha errado a própria tarefa.
O cisne voou como cisne voa.
O lúcio nadou como lúcio nada.
O caranguejo andou como caranguejo anda.
A carroça não saiu do lugar.
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